A retocolite ulcerativa é uma doença idiopática caracterizada por episódios recorrentes de inflamação que acomete predominantemente a camada mucosa do cólon.
A doença sempre afeta o reto e também variáveis porções proximais do cólon, em geral de forma contínua, ou seja, sem áreas de mucosa normais entre as porções afetadas.
Dessa maneira, os pacientes podem ser classificados como tendo a doença limitada ao reto (proctite), proctossigmoidite (quando afeta até a porção média do sigmóide), com envolvimento do cólon descendente até o reto (colite esquerda) e envolvimento de porções proximais à flexura esplênica (pancolite).
Muitos pacientes permanecem em remissão por longos períodos, mas a probabilidade de ausência de recidiva por 2 anos é de apenas 20%. As recidivas geralmente ocorrem na mesma região do cólon das outras agudizações.
A doença pode iniciar em qualquer idade, sendo homens e mulheres igualmente afetados. O pico de incidência parece ocorrer dos 20 aos 40 anos e muitos estudos mostram um segundo pico de incidência nos idosos.
As agudizações são classificadas em três categorias:
a) leve: menos de 3 evacuações por dia, com ou sem sangue, sem comprometimento sistêmico e com velocidade de sedimentação globular normal;
b) moderada: mais de 4 evacuações por dia com mínimo comprometimento sistêmico;
c) grave: mais de 6 evacuações por dia com sangue e com evidência de comprometimentos sistêmicos, tais como febre, taquicardia, anemia e velocidade de sedimentação globular acima de 30. Casos com suspeita de megacólon tóxico também devem ser considerados graves.
O tratamento compreende aminossalicilatos orais e por via retal, corticóides e imunossupressores, e é feito de maneira a tratar a fase aguda e, após, manter a remissão, sendo o maior objetivo reduzir a sintomatologia
O tratamento das agudizações leves a moderadas é feito basicamente com aminossalicilatos, orais e tópicos, e com corticóides. A sulfasalazina mostrou-se eficaz no tratamento da retocolite ulcerativa leve a moderada em ensaio clínico randomizado da década de 60.
Metanálises dos ensaios clínicos que usaram mesalazina na retocolite ulcerativa ativa mostraram igual eficácia da sulfasalazina e da mesalazina e
superioridade em relação ao placebo.
A terapia tópica, com supositórios de mesalazina na proctite e enema
de mesalazina para a proctossigmoidite, foi reavaliada em duas metanálises que mostraram que a terapia tópica é superior à oral na doença distal. Enemas de corticóide também são superiores ao placebo na doença leve a moderada, embora sejam menos eficazes que a terapia tópica com mesalazina
Os pacientes refratários aos aminossalicilatos ou aqueles com doença moderada podem alternativamente usar prednisona
na dose de 40 mg/dia, por via oral
Mulheres Grávidas e Nutrizes
A sulfasalazina interfere com o metabolismo normal do ácido fólico, que deve ser suplementado no período pré-concepção. A taxa de malformações com seu uso é quase igual à da população em geral.
Deve ser utilizada com cautela em pacientes amamentando
A mesalazina é considerada segura durante a gestação e pode ser uma alternativa para pacientes
em uso de sulfasalazina que estejam planejando gestar. Aconselha-se cautela no seu emprego durante a gestação
Os corticóides podem ser usados durante a gestação para controle de doença ativa, parecendo razoável utilizar aqueles mais metabolizados pela placenta, como a prednisona.
Não há estudos definitivos sobre a segurança da azatioprina durante a gestação, contudo a maioria dos estudos parece demonstrar que ela é segura.
Dúvidas quanto a sua segurança existem também para os usuários homens que estejam planejando ter filhos. O risco deve ser pesado contra a importância de sua manutenção. A medicação deve ser suspensa pelo menos 3 meses antes da concepção nos pacientes (homens e mulheres) que decidirem não se submeter ao risco teratogênico. Pacientes que estejam usando azatioprina não devem amamentar
A ciclosporina tem, provavelmente, o mesmo nível de segurança da azatioprina, e sua relação riscobenefício parece ser favorável ao seu uso em pacientes com colite grave refratária ao corticóide como meio de evitar cirurgias de urgência. Seus níveis séricos devem ser cuidadosamente monitorizados, pois, em níveis elevados, associa-se ao desenvolvimento de dano tubular renal nos conceptos em experimentos animais.
Pacientes que estiverem utilizando ciclosporina não devem amamentar.
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